Fotografo nas horas vagas.

J. Valente

Se dedica a tirar fotos de mulheres comuns, balzaquianas…, retrata-as as que por iniciativa própria se oferecem como modelos amadoras, são colegas de trabalho, amigas ou conhecidas que, de rosto coberto, exibem a beleza dos seus corpos para as lentes do artista e, durante o ensaio fotográfico todas, sem exceção, se oferecem sexualmente. Gustavo, com admirável modéstia, reconhece que esta entrega não é por seus (duvidosos) encantos, mas por exclusiva responsabilidade do cenário. Casadas, solteiras, jovens ou não, derrubam temporariamente suas barreiras para deleite do artista. Valente não pretende se exibir como conquistador, o que quer é entender e sua intuição o faz pensar que quando uma mulher tira suas roupas, também retira de uma vez só os sete véus que escondem seu desejo. Valente aproveita a metáfora “O rei está nu” para afirmar que quando uma mulher tira a roupa e voluntariamente fica nua, exerce uma verdade e, além das suas roupas, também retira suas barreiras morais, o que não aconteceria em circunstâncias normais.
De nossa parte aprendemos que o nudismo, como tal, não excita, pelo contrário, excitam as roupas que, prometendo o nu, deflagram as fantasias eróticas. Neste processo, o papel principal é o olhar; assim como algumas mulheres ficam ruborizadas quando olhadas com desejo, no polo oposto, as modelos de Valente ficam excitadas por ser objeto de olhares masculinos. Umas, as que reprimem ficam angustiadas, as outras que se exibem o fazem com prazer. O exibicionismo delas é tão real quanto o voyeurismo do fotógrafo, tudo enquadrado na mais absoluta normalidade de ambos e, por esse motivo, não surpreende que à meia-luz do estúdio, levem seus desejos às últimas consequências.
Valente descobriu uma brecha na fortaleza feminina, belezas anônimas, sem rosto se oferecem a espectadores avulsos e desconhecidos e, entre ambos conseguem cristalizar a furtiva essência do desejo. Nessa hora não são apenas fotógrafo e modelo, são emissários de uma energia invisível, que quando está esteticamente bem resolvida, será uma obra de arte. Cada vez que admiramos uma bela fotografia nua ou não, capturamos parte dessa energia que, talvez seja a própria essência da obra de arte…
Por Sérgio Costa.

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